Le Corbusier e as Igrejas

Nem vou começar a falar sobre minhas impressões quanto ao caráter "sacro" de tais projetos. A questão aqui é somente apresentar alguns trabalhos de um dos mais influentes arquitetos do século XX, o tão conhecido Charles Edouard Jeanneret, vulgo Le Corbusier, que já nos rendeu hooooras em disciplinas de história nos cursos de design ou arquitetura mundo afora.

Nasceu na Suíca em 1887, mas naturalizou-se na França em 1930, onde viveu a maior parte da sua vida e consagrou-se um ícone (e pioneiro) do Movimento Moderno. Morreu em 1965, deixando um rico legado na arquitetura e no design mundial.

Ateu? Claro! Tinha que ser né? mas como era de se esperar, sobretudo no começo do século passado, onde pareceu ter virado moda na Igreja entregar as coisas "santas" nas mãos de quem sequer acreditava em Deus (ou fingia que acreditava), alguns projetos foram parar nas mãos de Le Corbusier, que emprestou seu racionalismo à uma pretensa arquitetura sacra, que hoje é, apesar de admirada por turistas, um sinônimo de vazio de conceito do sagrado, obras meramente funcionais, verdadeiras "máquinas de morar" (nesse caso celebrar), como expressa Giulio Carlo Argan, citado por Ferreira Gullar: " O erro de Le Corbusier é ter simulado uma fé que não tem".



Pra não dizer que estou implicando com nosso amigo Corbusier, eis suas palavras ao ser convidado pela primeira vez para projetar a capela de Ronchamp: "Não posso construir para uma célula morta da sociedade?" ¬¬ (toooma!)

Michel Ragon, em O livro da Arquitetura Moderna (Le livre de I'Architecture Moderne) afirma que "sem fé na obra realizada, não pode haver grande obra". Isso falando de qualquer obra que seja, imagine se referindo a uma Igreja? O próprio Ragon concorda que, como a maioria dos arquitetos que constróem igrejas modernas não são católicos, essas igrejas parecem mais maquetes, cópias, ou mesmo, hangares.

As imagens acima são de dois projetos "sacros" de Le Corbusier. A capela de Ronchamp e a Igreja de São Pedro, na França.

Bonitos? Talvez...

Casas de Deus? sem comentários!

3 comentários:

Ana Capabianco disse...

Se fosse um planetário seria legal rsrsrs

Pamela Araújo disse...

Bonito? Na minha humilde opinião, sim!
Sacro? Não tem necessidade das igrejas terem cara de barroco ou algo explicitamente divido. Afinal o que seria o divino, senão o interior de cada ser vido?
Apesar de todas as divergências, eu gosto das obras 'sacras' de Le Corbusier e outros arquitetos 'ateus modernistas'..de uma forma ou de outra, eles causaram alguma sensação, mesmo que não seja a mesma que se tem quando se entra na Catedral de Notre Dame por exemplo! Adoro a Notre dame du Haut e a de São Pedro. Lindas imagens.
Um beijo!

a disse...

"Afinal o que seria o divino, senão o interior de cada ser vivo?". Você confundiu Catolicismo com Gnosticismo. O que essa moça escreveu é completamente gnosticismo.
Ora Deus é Ato Puro, Ato pois nunca muda, e puro porque não há mistura de outra essência nele, e a essência dEle [Deus], não está nas criaturas que foram criadas por Ele.
A beleza que encontramos nas verdadeiras obras de arte, são de fato belas porque é um reflexo da ordem que Deus colocou no Ser-Humano, o qual transmite para as suas obras. Um ateu, até pode criar coisas belas, desde que respeite a ordem (do verbo ordenar) de Deus.